segunda-feira, 27 de maio de 2013

Ausência

Seca estou.
Nem uma letra.
Árida estou.
Palavra alguma.
Pensar algum,
sentir algum.
Não sinto.
Não sou
Morreu o poema,
morreu o poeta.
   Oposta

Temo a rima.
Vivo a cadência,
a musicalidade.
Temo a rima
que pontua
enquadra.
Sou do livre pensar,
da palavra sem amarra.
Sou do instante,
do que vem,
do que compõe.
Temo a rima
que invalida
a poesia inata.
Estima

Não tenho beleza.
A beleza que o outro vê, não vê em mim.
Não tenho beleza.
Nem no retrato com preparo de tons e matizes, a beleza me vem.
Porém, as vezes o espelho me reflete bela.
Penso: Quem me deu a beleza do momento no espelho?
E o espelho me diz: os teus olhos.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

ANA


Nunca o suficiente será.
Impossível  preencher,
dissipar,
explicar,
transferir,
viver,
em quantidade,
intensidade,
o que sinto por você.
Nunca o suficiente será.

Ismélia Rodrigues Monteiro

quinta-feira, 12 de abril de 2012

BALUARTE

A pior guerra
é a do âmago,
onde o que sangra não é carne
é a alma..
A guerra da solidão, do vago,
da vida sem afã.
Guerra fria, infinda.
Luta inválida.
Sangra a alma.
Sangra toda alma.
E o corpo fica árido, rígido,
fingindo ser baluarte.

sábado, 31 de março de 2012

SOU DA PALAVRA

Eu sou assim eloquente
de mim emana em palavras e escritas
as alegrias e dores de minha vida.
Transbordo pela boca toda alma
e com meu sorriso faço vírgulas e exclamações.
Na escrita é a dor que vem mais fácil.
Solto pelo mundo  palavras e  histórias
que no ar se misturam e constroem quem eu sou.
Sou da palavra,
me digo nela,
ao vento ou papel.
As vezes sou tão alegria
que o corpo todo fala.
As vezes a lágrima que cai é o ponto final.
Sou assim igual a muitos que emanam, exalam ,expressam.
Me misturo ao mundo pela palavra
e nele, minha história vai sendo contada.

terça-feira, 20 de março de 2012

QUAL

Me vejo tantas
Me sinto tantas
À noite quando a solidão encosta
Me faço muitas
E se eu fosse todas elas?
E se eu fosse uma delas?
Qual delas eu seria?