terça-feira, 28 de maio de 2013

AMOR

Antes, borboletas pousavam em minhas mãos , sempre.
Eu gostava das azuis.
Voavam com o sopro do vento,
Pousavam sem medo nas pontas dos meus dedos
e minha mão voava também, levando o corpo junto.
Apaixonadamente,os pés por vezes descolavam do chão.
E voávamos........
Há tempos não as vejo.
Mas continuo  aqui.
Sentindo o sopro leve do vento,
E esperando pelo voo.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Pedido

Espero teus olhos...
Tempo de espera, ânsia.
Olhos apressados os meus pelos teus.
Espera doída, infinita....
Vejo teus olhos.
E que a vida passe devagar.
Ausência

Seca estou.
Nem uma letra.
Árida estou.
Palavra alguma.
Pensar algum,
sentir algum.
Não sinto.
Não sou
Morreu o poema,
morreu o poeta.
   Oposta

Temo a rima.
Vivo a cadência,
a musicalidade.
Temo a rima
que pontua
enquadra.
Sou do livre pensar,
da palavra sem amarra.
Sou do instante,
do que vem,
do que compõe.
Temo a rima
que invalida
a poesia inata.
Estima

Não tenho beleza.
A beleza que o outro vê, não vê em mim.
Não tenho beleza.
Nem no retrato com preparo de tons e matizes, a beleza me vem.
Porém, as vezes o espelho me reflete bela.
Penso: Quem me deu a beleza do momento no espelho?
E o espelho me diz: os teus olhos.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

ANA


Nunca o suficiente será.
Impossível  preencher,
dissipar,
explicar,
transferir,
viver,
em quantidade,
intensidade,
o que sinto por você.
Nunca o suficiente será.

Ismélia Rodrigues Monteiro

quinta-feira, 12 de abril de 2012

BALUARTE

A pior guerra
é a do âmago,
onde o que sangra não é carne
é a alma..
A guerra da solidão, do vago,
da vida sem afã.
Guerra fria, infinda.
Luta inválida.
Sangra a alma.
Sangra toda alma.
E o corpo fica árido, rígido,
fingindo ser baluarte.