segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

DECLARAÇÃO DE AMOR

Quando amar
Declare todo seu amor
Jamais ame calado
O que o amor não fala
Vai falar a solidão
O que o amor calou
Vai vagar, vagar  em vão.

Ismélia Rodrigues Monteiro

DELA SEI

Da lágrima que dói
Que escorre e marca
Que salga a tez
Desta lágrima
gota a gota sentida
Dela sei.

Ismélia Rodrigues Monteiro

sábado, 24 de dezembro de 2011

TEMPO VIVO

O tempo passa
E não se vislumbra o amor
O tempo é vivo
Passa
Eu que vivo estou a tanto  tempo
Sei que pior que a dor de  não ver chegar o amor
É o infortúnio de vê-lo partir
A qualquer tempo
Porque para o amor o tempo passa,
Mas para a saudade ele é infinito.

Ismélia Rodrigues  Monteiro

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Domingo

Se fosse hoje domingo
Entenderia
Porque tanta monotonia
A porta  ficou aberta
A tristeza invadiu
A solidão está lá fora
rondando
rondando
Querendo chegar.

Ismélia Rodrigues Monteiro

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O Trem

Ao findar um bom livro
Sofro de uma tristeza inquietante
Tenho que deixar os companheiros que fiz  durante esta  viagem
Fico escutando o trem apitar na curva
Sei que tenho que pegá-lo nesta estação
Regressar ao  mundo
Sempre atraso a viagem de volta
Não viro a última página
Fico ali parada e eles me olhando
Enquanto o trem vem apitando.

                             Ismélia Rodrigues Monteiro

sábado, 27 de agosto de 2011

Florada

Por vezes, o sentimento de fim nos chega.
Mas o que  pensamos ser fim, pode gerar nascente.
É o poder da poda.
Basta perceber o broto,
Regar
E viver a nova florada.

Ismélia Rodrigues Monteiro

Calabouço

Pode se vestir com tecidos da monarquia
Cobrir teu corpo de carne e osso com o luxo dos reis
Entrar em  castelos onde portas se abrem para teus passos de orgulho
Manter o olhar no horizonte enquanto cabeças se dobram em reverência a tua soberba
Crescer em seus pensamentos como um ser absoluto  e magnânimo
Segurar taças,  mostrar anéis
Se manter ereto com todo este peso de adorno e brilho
Mas não abra  tua boca
Pois na primeira palavra o cheiro do calabouço virá.

Ismélia Rodrigues Monteiro