segunda-feira, 23 de abril de 2012
ANA
Nunca o suficiente será.
Impossível preencher,
dissipar,
explicar,
transferir,
viver,
em quantidade,
intensidade,
o que sinto por você.
Nunca o suficiente será.
Ismélia Rodrigues Monteiro
quinta-feira, 12 de abril de 2012
BALUARTE
A pior guerra
é a do âmago,
onde o que sangra não é carne
é a alma..
A guerra da solidão, do vago,
da vida sem afã.
Guerra fria, infinda.
Luta inválida.
Sangra a alma.
Sangra toda alma.
E o corpo fica árido, rígido,
fingindo ser baluarte.
é a do âmago,
onde o que sangra não é carne
é a alma..
A guerra da solidão, do vago,
da vida sem afã.
Guerra fria, infinda.
Luta inválida.
Sangra a alma.
Sangra toda alma.
E o corpo fica árido, rígido,
fingindo ser baluarte.
sábado, 31 de março de 2012
SOU DA PALAVRA
Eu sou assim eloquente
de mim emana em palavras e escritas
as alegrias e dores de minha vida.
Transbordo pela boca toda alma
e com meu sorriso faço vírgulas e exclamações.
Na escrita é a dor que vem mais fácil.
Solto pelo mundo palavras e histórias
que no ar se misturam e constroem quem eu sou.
Sou da palavra,
me digo nela,
ao vento ou papel.
As vezes sou tão alegria
que o corpo todo fala.
As vezes a lágrima que cai é o ponto final.
Sou assim igual a muitos que emanam, exalam ,expressam.
Me misturo ao mundo pela palavra
e nele, minha história vai sendo contada.
de mim emana em palavras e escritas
as alegrias e dores de minha vida.
Transbordo pela boca toda alma
e com meu sorriso faço vírgulas e exclamações.
Na escrita é a dor que vem mais fácil.
Solto pelo mundo palavras e histórias
que no ar se misturam e constroem quem eu sou.
Sou da palavra,
me digo nela,
ao vento ou papel.
As vezes sou tão alegria
que o corpo todo fala.
As vezes a lágrima que cai é o ponto final.
Sou assim igual a muitos que emanam, exalam ,expressam.
Me misturo ao mundo pela palavra
e nele, minha história vai sendo contada.
terça-feira, 20 de março de 2012
QUAL
Me vejo tantas
Me sinto tantas
À noite quando a solidão encosta
Me faço muitas
E se eu fosse todas elas?
E se eu fosse uma delas?
Qual delas eu seria?
Me sinto tantas
À noite quando a solidão encosta
Me faço muitas
E se eu fosse todas elas?
E se eu fosse uma delas?
Qual delas eu seria?
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Indícios
Vivo de indícios
De pequenas alegrias que muitas vezes nem são minhas
Tento mudar a trajetória
Mas estou sempre aqui
A margem do movimento
Esperando o meu passo que não chega
Presa sem grade alguma
Livre sem poder estender a mão
Sinto o vento
Vejo o balançar das folhas
Vejo gotas de chuva
O Brilho do Sol
Estrelas
Pessoas passam por mim e sorriem
Como se eu livre fosse assim.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
ESPERO
Hoje em mim se faz inverno.
Mas lá fora é outra estação.
Espero
Espero amanhecer
O sol virá aquecer
meu olhar e coração.
Ismélia Rodrigues Monteiro
Mas lá fora é outra estação.
Espero
Espero amanhecer
O sol virá aquecer
meu olhar e coração.
Ismélia Rodrigues Monteiro
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
INFÂNCIA
Diminuí a velocidade do carro para observar melhor a paisagem. Parei no ponto mais alto da estrada. De lá pude avistar a cidadezinha.Dá para ver ela toda daqui de cima.A visão era a mesma de vinte anos atrás. Fui passando devagar e o lugar foi tomando conta de mim.Foi como se estivesse entrando no passado. A mesma porteira da fazenda São Lourenço, o mesmo ipê amarelo, a mesma poeira subindo.
Parei o carro na entrada da cidade e fui caminhando em meio as lembranças. Espantosamente, tudo estava como era. Neste lugar vivi toda a minha infância. Era bom , muito bom. Depois a família resolveu mudar para uma cidade maior. Como eles diziam: queriam tentar a vida por lá. E lá estamos até hoje, a quatrocentos quilômetros da minha infância.
Recebi a carta de Fátima e não pensei um só instante em não vir. Uma reunião dos ex alunos para comemorar vinte anos de formatura do antigo primário. De todos, só eu não morava mais por perto. Hoje, penso como era difícil para a professora. Eram todos numa só sala de aula. Séries misturadas. Dona Coralina. Carinhosa. Paciente.
Mirei a velha estação do trem. Era a mesma. Ela e seus dormentes. As mesmas casas, as chaminés enfumaçadas dos fogões à lenha. A ponte sem proteção lateral, o carro de boi que canta, a carroça do leite. A pequena praça, os mesmos bancos, o coreto, a casa de marimbondo. A igrejinha de Santa Rita , suas roseiras e sua torre sem sino. Os mesmos cheiros. O cheiro do lugar, do café, do melado, da goiabada de tacho, dos temperos do passado. O tempo passou e tudo continuou ali.
Dobrei a esquina. Ela estava lá. Escola municipal XV de novembro. Atrasei os passos. Senti como se estivesse com os meus livrinhos debaixo do braço. Senti o cabelo molhado, partido para um lado. Senti o coração. Continuei devagar. Cheguei até o mesmo portão de ferro na frente da escola. O choro veio, mas preferi guardá-lo para mais tarde. Entrei como que para uma nova aula. Escutei conversas e risadas vindas do antigo refeitório. Lá estavam eles. Fátima e seu cabelo comprido, Dulce e seu vestido colorido, Tonico e seu fundo de garrafa, Ana Maria e sua gargalhada. E outros iam chegando. Agora estávamos lá de novo como se o tempo não tivesse passado. Ao fundo, na cabeceira da mesa estava ela. Dona Coralina.O mesmo casaquinho sobre o vestido, cabelos presos, batom rosa e alfazema. Acho que o tempo parou por aqui. Quando me avistou, ficou quieta por alguns instantes. Achei que não iria me reconhecer. De repente juntou as mãozinhas no peito, depois abriu os braços e veio ao meu encontro. Parou na minha frente e me disse com o mesmo jeitinho que explicava as lições: meu filho, quanto tempo, você não mudou nada. Aí o choro veio e não pude guardá-lo mais.
Ismélia Rodrigues Monteiro
Ismélia Rodrigues Monteiro
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